terça-feira, 19 de novembro de 2013

Pérola 17

- Dra., meu irmão fez uma cirurgia cardíaca e está internado no cti de um hospital em Montes Claros. Preciso de "uns dias" de atestado para ir visitá-lo.
- Mas VOCÊ está doente?
- Não. Eu já expliquei... Meu irmão é que está internado.
- Então você quer um atestado médico para ir visitar seu irmão?
- E isso mesmo. Agora você entendeu!
- Entendi... e respirei bem fundo...

domingo, 10 de novembro de 2013

Meu nome é Reginaldo

No CAPS tinha um paciente surreal: o Reginaldo. Até os 18 anos, levava uma vida normal: estudava, trabalhava como balconista de farmácia e tinha uma namorada. O primeiro surto aconteceu dentro da zona, para onde foi levado pelo pai "para virar homem". Depois disso, não conseguiu mais trabalhar nem estudar. A namorada o deixou. Conheci-o quando tinha uns 40 anos. Não importava a temperatura ambiente, estava sempre de calça comprida, tênis e blusa de frio. Todos os dias, ao chegar, falava várias coisas rapidamente, sem qualquer nexo, e finalizava, estendendo a mão: - Meu nome é Reginaldo! E vivia aprontando... A mãe já havia tirado dezenas de "segundas-vias" de sua carteira de passe-livre em ônibus. Ele agia assim: entrava em uma lanchonete, escolhia o que queria e, na hora de pagar, como não tinha dinheiro, dava a carteirinha como garantia... Tinha também a mania de entrar em qualquer casa que lhe desse vontade. Entrava e, se visse algo interessante, simplesmente levava. Sempre que chegava em casa com algo diferente, o coração da mãe ia até a boca. E lá ia ela tentar advinhar quem tinha sido lesado dessa vez. Mas nem todos entendiam... Certa vez, entrou numa casa e resolveu tomar banho (de porta aberta, diga-se de passagem). O dono da casa chegou, achou que ele tinha um caso com sua mulher e chamou a polícia... E lá foi a mãe para a delegacia com o surrado "atestado de doido." Às vezes, Reginaldo sentia saudade da namorada... Na verdade, ela o deixou mas ele continuava apaixonado. Então ia para a porta de sua antiga casa e tocava a campainha. Quem quer que atendesse a porta, ouvia: - Meu nome é Reginaldo!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Pérola 16

De um paciente esquizofrênico:
- Dra., vim aqui porque preciso de um remédio para mágoa.
- E o que e mágoa para você?
- Magoa é a indiferença das pessoas e da família...


Colaboração: Vinícius Pedroso