quarta-feira, 11 de março de 2020

Que nem anjo

Consulta terminada, mãozinha na maçaneta, e a paciente de 68 anos resolve dar mais uma palavrinha:
Ela: Dra., quero te perguntar mais uma coisa mas não escreve aí, pelo amor de Deus!
Eu: Pois não...
Ela (constrangida): A sra., por acaso, teria um remédio... para tirar vontade de fazer sexo?
Eu: ...
Ela: É que de uns tempos para cá tem me dado muita vontade. Engraçado é que fiquei muitos anos que nem um anjo... Será que é da menopausa?
Eu: O desejo sexual ocorre em todas as pessoas. Não acho necessário um medicamento. Tem outras formas de você lidar com isso.
Ela: Ah, mas na minha idade é complicado. Eu não gosto de velhos, parecem aqueles bonecos de posto de gasolina com o pescoço cheio de pelanca. Rapaz novo também é difícil, parece que eu sou a mãe deles. Uma amiga me falou para comprar um "brinquedinho". Mas a sra. acha que eu tenho cara de entrar numa loja dessas?
Eu (segurando o riso): A sra. pode comprar pela internet.
Ela: Aí qé ue piorou. Eu não sei mexer em computador. Como é que eu vou pedir pro meu neto comprar uma coisa dessas?
Respiro fundo...

quarta-feira, 4 de março de 2020

O sócio

Um paciente de 37 anos, portador de síndrome de Down, vem à consulta acompanhado pela mãe. No início do atendimento, o paciente fala que é solteiro e tem dois filhos. A mãe, de cara feia, se apressa para corrigir a informação:
Ela:  "Ele não tem filho não, dra. Nunca teve nem namorada. Nós temos uma vizinha que gosta muito dele e ele fala para todo mundo que é o pai dos filhos dela."
Eu: "Entendi. E o pai das crianças não fica incomodado?"
Ela: "Graças a Deus, o marido dela também gosta dele e não cria caso. Até apelidou meu  filho de "sócio"."

Respiro fundo...