Nas
primeiras semanas como residente de psiquiatria, passei por duas situações com
a minha primeira paciente internada:
A
senhorita em questão, 34 anos, tímida, educada, bem apessoada apresentava um
quadro de esquizofrenia paranoide e várias internações, conforme havia
lido no prontuário - não sabia diagnóstico, psicopatologia ou fazer
entrevistas, como qualquer psiquiatra residente na primeira semana.
Ela tinha
perdido alguns dentes, mas "a lataria" estava razoável pela
ectoscopia. Lí o prontuário no posto de enfermagam e fui ao consultório atender
minha paciente, vestida com uma roupa marrom-hospicio. Perguntei donde vinha
tal moça, se era casada, se tinha filhos e para qual time torcia... Estabeleci
algum vínculo e tentei colher alguns dados de alterações psicopatológicas. A
paciente interrompe, abruptamente, com os olhos estatelados, e me pede: - Dr.,
posso ir ao banheiro? Digo: - Claro!
Quando
ela volta digo: - Mas você foi muito rápida. Ela responde: - É que eu fui
escovar os dentes... E pulou em cima de mim tentando me beijar a boca.
Agarrou-me e pedi socorro. Gritava pelos enfermeiros. Demorei bastante a me
desvencilhar, todo manchado de batom, com a roupa amassada e muitos arranhões.
Corri até o posto de enfermagem, onde todos estavam rachando de rir. Depois de
muitas risadas, me contaram que a senhorita sempre fazia isso com os
residentes. Era como um trote, um ritual de passagem para quem desse sorte de
chegar aquela enfermaria quando a ilustríssima estava internada.
Colaboração: Márcio
Candiani