O segundo
episódio, com a mesma paciente, ocorreu não muito tempo depois. Perguntei se
ela escutava pessoas conversando fora da cabeça dela, sobre vozes de comando,
idéias de referência ou algum sinal psicose mais grave. Percebi que estava
menos agitada e a enfermagem relatou que dormia bem. Disse a ela:
- A senhorita
está ótima. Está de alta. Estou apenas com um pequeno problema: não consegui
contato com sua irmã ou sua mãe no telefone que temos no prontuário (ela mora a
mais de 400 km daqui). Como fazemos?
Ao que ela responde:
- Peraí doutor.
Pegou
a Bíblia da cabeceira e começou a utilizá-la como se fosse um telefone:
-
Mãínha? Que dia a senhora vem?
E falou para mim:
- Ela vem amanhã, doutor....
Saí pasmo do consultório e vi que precisava aprender um pouco mais de tudo.
Aumentei a dose do antipsicótico e disse depois: - Ué, ela não veio. A paciente
"ligou" novamente e disse que a mãe tivera um imprevisto. Fui
aumentando a dose do antipsicótico e observando. Quando ela me disse que o
telefone havia parado de funcionar e que sua mãe não mais conversava com ela,
dei alta de verdade.
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