- Como você está?
- Comigo está tudo bem. O único problema agora é conseguir seguir a dieta.
- É tão difícil assim?
- O problema é que eu na dieta funciono igual conversão de presidiário.
- Não entendi.
- É assim: num dia é só "Glória a Deus", no outro já tá matando e roubando!
Respiro fundo...
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
sábado, 25 de agosto de 2018
Duende
Durante o atendimento, a paciente conta sobre viagem que fez a Amsterdam. Imediatamente, alerta vermelho disparado, pergunto: "Experimentou maconha?" Ela diz que não, principalmente porque "deu ruim" para umas amigas lá. E conta o que aconteceu:
"Uma amiga foi para uma despedida de solteira lá. Era um grupo com 10 meninas. Elas ficaram hospedadas num hotel bacana. À noite, saíam para os bares e experimentavam as maconhas e etc. Uma noite estavam lá fumando maconha quando deram falta de uma delas. Cadê a fulana? Nisso, comeram a rodar nas proximidades a procura da desaparecida. Depois de muito procurar, já preocupadíssimas, resolveram voltar para o hotel. Chegando no hotel, encontram a fulana deitada na cama, estranha, fazendo uns movimentos horizontais com a cabeça. As amigas, enfurecidas, xingaram a fulana de louca e irresponsável. A fulana: "Calma, gente. Eu fiquei perdida...mas aí veio um duende e me trouxe até o hotel."As amigas caíram na risada querendo saber o que a fulana tinha usado que até viu duende. A fulana: "Sabia que vocês não iam acreditar! Por isso eu trouxe o duende. Duende, duende, venha cá!" Eis que aparece um menino de uns 8 anos, portador de síndrome de Down. A fulana: "Duende, cumprimenta as meninas!" O menino e as amigas sem entender nada. Uma delas fica preocupada e pergunta sobre o que fazer com o menino. Levaram o menino até a recepção do hotel mas ele não sabia falar seu nome, nem quem era sua mãe. O grupo então teve que levar o menino até a delegacia. E a fulana repetindo: "Ele é o meu duende, eu falei, vocês não acreditaram..." Chegando na delegacia, de madrugada, já tinham feito a denúncia do desaparecimento do menino e estavam enviando alertas para as fronteiras. Uma delas se dirige ao policial e informa que encontraram o garoto. O policial queria saber o local e as circunstâncias. Minhas amigas não sabiam e foram obrigadas a contar a história para a delegada. Esta, então, determinou que deixassem a cidade em meia hora, sob risco de prisão e deportação. E assim minhas amigas deixaram a cidade às pressas. Pode um negócio desses?
Respiro fundo...
"Uma amiga foi para uma despedida de solteira lá. Era um grupo com 10 meninas. Elas ficaram hospedadas num hotel bacana. À noite, saíam para os bares e experimentavam as maconhas e etc. Uma noite estavam lá fumando maconha quando deram falta de uma delas. Cadê a fulana? Nisso, comeram a rodar nas proximidades a procura da desaparecida. Depois de muito procurar, já preocupadíssimas, resolveram voltar para o hotel. Chegando no hotel, encontram a fulana deitada na cama, estranha, fazendo uns movimentos horizontais com a cabeça. As amigas, enfurecidas, xingaram a fulana de louca e irresponsável. A fulana: "Calma, gente. Eu fiquei perdida...mas aí veio um duende e me trouxe até o hotel."As amigas caíram na risada querendo saber o que a fulana tinha usado que até viu duende. A fulana: "Sabia que vocês não iam acreditar! Por isso eu trouxe o duende. Duende, duende, venha cá!" Eis que aparece um menino de uns 8 anos, portador de síndrome de Down. A fulana: "Duende, cumprimenta as meninas!" O menino e as amigas sem entender nada. Uma delas fica preocupada e pergunta sobre o que fazer com o menino. Levaram o menino até a recepção do hotel mas ele não sabia falar seu nome, nem quem era sua mãe. O grupo então teve que levar o menino até a delegacia. E a fulana repetindo: "Ele é o meu duende, eu falei, vocês não acreditaram..." Chegando na delegacia, de madrugada, já tinham feito a denúncia do desaparecimento do menino e estavam enviando alertas para as fronteiras. Uma delas se dirige ao policial e informa que encontraram o garoto. O policial queria saber o local e as circunstâncias. Minhas amigas não sabiam e foram obrigadas a contar a história para a delegada. Esta, então, determinou que deixassem a cidade em meia hora, sob risco de prisão e deportação. E assim minhas amigas deixaram a cidade às pressas. Pode um negócio desses?
Respiro fundo...
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Filantropia
Um colega e eu estávamos de plantão num hospital privado quando um rapaz se dirigiu a recepcionista. Quase ao mesmo tempo, uma senhora também se dirigiu a outro recepcionista.
O rapaz: "Eu vim aqui porque a minha mãe precisa se consultar, mas ela acha que eu é que vou consultar. Ela só veio por causa disso. Se ela soubesse que a consulta era para ela, não viria."
A senhora: "Eu vim aqui trazer meu filho para consultar, mas ele só aceitou vir porque eu disse que a consulta era para mim. Ele não pode saber que é para ele."
Nisso, os recepcionistas se entreolharam e decidiram chamar o psiquiatra. No fim das contas, os dois supostos pacientes não tinham plano de saúde, não tinham dinheiro para pagar consulta nem mesmo para se dirigirem a um serviço de saúde mental público ou voltar para casa. E o rapaz insistia que a mãe precisava pelo menos de um remédio antes de ir embora. Até que ele pergunta: "Mas aqui não atende filantropia?" Os recepcionistas lhe informam que sim, mas que existe uma fila organizada pelo Serviço Social. E ele: "Mas não estou vendo fila nenhuma! Posso esperar?"
Respiro fundo...
Colaboração: Lorena Dornellas
O rapaz: "Eu vim aqui porque a minha mãe precisa se consultar, mas ela acha que eu é que vou consultar. Ela só veio por causa disso. Se ela soubesse que a consulta era para ela, não viria."
A senhora: "Eu vim aqui trazer meu filho para consultar, mas ele só aceitou vir porque eu disse que a consulta era para mim. Ele não pode saber que é para ele."
Nisso, os recepcionistas se entreolharam e decidiram chamar o psiquiatra. No fim das contas, os dois supostos pacientes não tinham plano de saúde, não tinham dinheiro para pagar consulta nem mesmo para se dirigirem a um serviço de saúde mental público ou voltar para casa. E o rapaz insistia que a mãe precisava pelo menos de um remédio antes de ir embora. Até que ele pergunta: "Mas aqui não atende filantropia?" Os recepcionistas lhe informam que sim, mas que existe uma fila organizada pelo Serviço Social. E ele: "Mas não estou vendo fila nenhuma! Posso esperar?"
Respiro fundo...
Colaboração: Lorena Dornellas
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Síndrome de Ganser
Lembrei-me de um paciente que um colega atendia no Galba Velloso.
"Na ficha tá errado... meu nome é Ronaldo....e me colocaram no Galba Velloso errado... o meu tem que ser o de ortopedia..."
"E por que o senhor internou?"
"Machuquei feio o joelho jogando no "Barça"!
Colaboração: Fabrício Durão
"Na ficha tá errado... meu nome é Ronaldo....e me colocaram no Galba Velloso errado... o meu tem que ser o de ortopedia..."
"E por que o senhor internou?"
"Machuquei feio o joelho jogando no "Barça"!
Colaboração: Fabrício Durão
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
O casal
Estava no plantão quando a enfermeira entra esbaforida na sala: "Dra., acabei de fazer a triagem de um casal. Cada um falou que veio trazer o outro. Não dá para saber quem está falando a verdade." Na dúvida, o marido recebeu a pulseira amarela (agitado, irritado e agressivo) e a esposa a verde (renovação de receita). Seguindo a ordem de prioridade, chamo o marido. Este entra tranquilo: "Eu não sei porque fizeram a minha ficha. Eu falei que queria entrar apenas para acompanhar a minha esposa. Ela está em surto. Eu não estou dormindo direito porque tenho que vigiá-la. Nos moramos em um sítio e ela cisma de sair de madrugada. Fiquei nervoso porque ela estava mentindo para a enfermeira." Resumindo a consulta: o homem nunca fez tratamento psiquiátrico, não bebia nem fumava, nunca ouviu vozes e falava coisa com coisa. Quando ia dispensá-lo, vi no sistema que a esposa já estava sendo atendida por outro plantonista e levei-o até o consultório em que ela estava. De acordo com o colega, a paciente estava embromando-o até a chegada do marido. Nesse momento, os dois começaram a brigar e o marido falou que ela ficava conversando com o rádio. A paciente, possessa, retrucou: "Eu não preciso de rádio para me comunicar. Recebo as mensagens diretamente da antena do condomínio!"
Respiramos fundo...
Respiramos fundo...
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
Pôr do sol
Sou chamado no plantão porque uma paciente havia quebrado o vidro da janela.
Pergunto calmamente: "O que aconteceu, fulana? Pediram para eu vir aqui e disseram que você quebrou o vidro."
Ela, indiferente: "Eu não. Tô sabendo de nada..."
Insisto: "Mas me disseram que foi você mesmo..."
Ela, agora irritada: "Ah, verdade! Eu quebrei mesmo!"
Insisto novamente: "Mas o que aconteceu?"
Ela: "Quebrei pra ver o pôr do sol!"
Respiro fundo...
Colaboração: Rafael Miranda
Pergunto calmamente: "O que aconteceu, fulana? Pediram para eu vir aqui e disseram que você quebrou o vidro."
Ela, indiferente: "Eu não. Tô sabendo de nada..."
Insisto: "Mas me disseram que foi você mesmo..."
Ela, agora irritada: "Ah, verdade! Eu quebrei mesmo!"
Insisto novamente: "Mas o que aconteceu?"
Ela: "Quebrei pra ver o pôr do sol!"
Respiro fundo...
Colaboração: Rafael Miranda
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
Sem noção
Atendo o telefone e ouço uma voz ansiosa:
- Dra., preciso consultar com urgência! Preciso muito de ajuda. Quem me indicou foi o fulano de tal, marido da paciente sicrana.
- O que está acontecendo?
- Um tanto de coisa... Fiquei assim depois que perdi minha mãe e minha irmã... as duas morreram com câncer. E eu ainda ajudo a olhar meus sobrinhos... Sou técnica de enfermagem, já trabalhei em CTI e homecare. O problema é que minha cabeça não está boa... cometi alguns erros e isso fechou portas para mim. Eu sei que preciso trabalhar mas não consigo. Já procurei ajuda no SUS mas não gostei dos médicos. E blá, blá blá...
- Você tem plano de saúde?
- Não. Tem que ser particular, mas...
Aí eu já comecei a prever pedido de desconto, prazo no cheque, etc.
- É que no momento não tenho como pagar. Tem como você ir me atendendo todo mês e eu te pago aos poucos quando arrumar emprego?
Respiro fundo...
- Dra., preciso consultar com urgência! Preciso muito de ajuda. Quem me indicou foi o fulano de tal, marido da paciente sicrana.
- O que está acontecendo?
- Um tanto de coisa... Fiquei assim depois que perdi minha mãe e minha irmã... as duas morreram com câncer. E eu ainda ajudo a olhar meus sobrinhos... Sou técnica de enfermagem, já trabalhei em CTI e homecare. O problema é que minha cabeça não está boa... cometi alguns erros e isso fechou portas para mim. Eu sei que preciso trabalhar mas não consigo. Já procurei ajuda no SUS mas não gostei dos médicos. E blá, blá blá...
- Você tem plano de saúde?
- Não. Tem que ser particular, mas...
Aí eu já comecei a prever pedido de desconto, prazo no cheque, etc.
- É que no momento não tenho como pagar. Tem como você ir me atendendo todo mês e eu te pago aos poucos quando arrumar emprego?
Respiro fundo...
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