Estava no plantão quando a enfermeira entra esbaforida na sala: "Dra., acabei de fazer a triagem de um casal. Cada um falou que veio trazer o outro. Não dá para saber quem está falando a verdade." Na dúvida, o marido recebeu a pulseira amarela (agitado, irritado e agressivo) e a esposa a verde (renovação de receita). Seguindo a ordem de prioridade, chamo o marido. Este entra tranquilo: "Eu não sei porque fizeram a minha ficha. Eu falei que queria entrar apenas para acompanhar a minha esposa. Ela está em surto. Eu não estou dormindo direito porque tenho que vigiá-la. Nos moramos em um sítio e ela cisma de sair de madrugada. Fiquei nervoso porque ela estava mentindo para a enfermeira." Resumindo a consulta: o homem nunca fez tratamento psiquiátrico, não bebia nem fumava, nunca ouviu vozes e falava coisa com coisa. Quando ia dispensá-lo, vi no sistema que a esposa já estava sendo atendida por outro plantonista e levei-o até o consultório em que ela estava. De acordo com o colega, a paciente estava embromando-o até a chegada do marido. Nesse momento, os dois começaram a brigar e o marido falou que ela ficava conversando com o rádio. A paciente, possessa, retrucou: "Eu não preciso de rádio para me comunicar. Recebo as mensagens diretamente da antena do condomínio!"
Respiramos fundo...
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