quarta-feira, 24 de maio de 2017

A letra maldita

Estava de plantão no final de semana e fui entrevistar a paciente recém-internada. No prontuário constava que era a sua primeira internação.
- Bom dia, dona Fulana! Por que a sra. foi internada?
- Porque falaram que eu tive um surto psicótico.
- Mas o que aconteceu?
- Toda vida eu fui supersticiosa e de uns tempos para cá, a letra "S" passou a me incomodar. Na semana passada, resolvi jogar fora todos os livros lá de casa em que essa letra estava escrita. Também me livrei de quadros e queimei vidros de xampu que tinham essa letra na embalagem. (De acordo com o prontuário, a paciente resolveu queimar os vidros de xampu no fogão de casa e foi aquele fogaréu.) 
- É mesmo?
- É sim. Até falei para minha filha Andressa* mudar o nome dela para Andreza com "Z".
Nisso, ela pergunta o meu nome e respondo:
- Daniele Lopes.
- Mas esse "Lopes" é com "Z" ou com "S"?
- Com S.
- Tem que trocar! Tem que colocar Lopez com "Z". A letra "S" é amaldiçoada, é "S" de satanás. E a nossa conversa termina por aqui!!!

Colaboração: Daniele Lopes
* Nome fictício

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Pérola 77

Durante o atendimento, pergunto para a paciente octagenária quais os medicamentos que ela usa regularmente. A mesma abre a bolsa e tira uma listinha com o nome de todos. Faço um elogio pela organização e em seguida pergunto como os remédios são tomados. Ao que ela responde:
- Todos com água, né!

Respiro fundo...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Revólver virtual

Um paciente de 70 anos, em tratamento para câncer de próstata, procura o plantão.
- Dra., minha vida acabou depois desse câncer. Eu sou casado há 50 anos e descobri que a minha mulher está me traindo. Ela fica de conversinhas no telefone e mudou de quarto. Eu estou sofrendo muito. Para você ter uma ideia, na semana passada, coloquei um revólver na cabeça e por pouco não puxei o gatilho!
Diante da gravidade do caso, resolvo chamar a esposa no consultório. Explico toda a situação, falo do episódio do revólver e proponho internação. 
- Olha, dra., eu mudei de quarto porque ele está me ameaçando. Depois que ficou impotente, cismou que eu estou com outros homens, falou até em me bater. Eu nunca o traí, nem quando era nova, imagina agora... E essa história de revólver é tudo invenção dele. Ele nunca teve revólver. Ele não sai mais de casa sozinho nem tem dinheiro para comprar. Só faltava essa!

Respiro fundo...