Era uma dessas noites muito frias, o vento fazia “tuim, tuim” nas janelas e eu de plantão na Pinel. A antiga Pinel da João Pessoa onde teve seu início em três casas alugadas. Muito jovem, 19 anos, fazia plantão uma noite sim outra não, e acordado. Saia do plantão, ia para a faculdade e só à noite podia dormir. Estava muito cansado, com frio e sonolento. Numa enfermaria tinham 4 doentes dormindo e uma cama sobrando. Enrolado num cobertor, espichava os olhos para a cama vazia. Quem sabe eu deito uns cinco minutos, dez talvez? Não posso, a ordem é ficar acordado. Este diálogo interior foi se estendendo até a madrugada. Lá pelas 3 e meia o sono venceu. Vou deitar uns minutos. Acordo pelas 6:30 com um grandalhão sentado na minha bacia e me estrangulando. Olhei para aquele rosto transtornado e disse: “o João, por que tu estás sentado no meu pau? Ele deu um pulo, largou meu pescoço e passou a gritar “eu não sou bicha, eu não sou bicha. Também pulei da cama e fui consolá-lo. Passados os anos, ainda vivo, posso contar esta história e só posso imaginar meu anjo da guarda de plantão.
Colaboração: Walmor J. Piccinini