domingo, 11 de janeiro de 2015

As primeiras experiências…

Nas primeiras semanas como residente de psiquiatria, passei por duas situações com a minha primeira paciente internada:

A senhorita em questão, 34 anos, tímida, educada, bem apessoada apresentava um quadro de esquizofrenia paranoide e várias internações, conforme  havia lido no prontuário - não sabia diagnóstico, psicopatologia ou fazer entrevistas, como qualquer psiquiatra residente na primeira semana.

Ela tinha perdido alguns dentes, mas "a lataria" estava razoável pela ectoscopia. Lí o prontuário no posto de enfermagam e fui ao consultório atender minha paciente, vestida com uma roupa marrom-hospicio. Perguntei donde vinha tal moça, se era casada, se tinha filhos e para qual time torcia... Estabeleci algum vínculo e tentei colher alguns dados de alterações psicopatológicas. A paciente interrompe, abruptamente, com os olhos estatelados, e me pede: - Dr., posso ir ao banheiro? Digo: - Claro! 

Quando ela volta digo: - Mas você foi muito rápida. Ela responde: - É que eu fui escovar os dentes... E pulou em cima de mim tentando me beijar a boca. Agarrou-me e pedi socorro. Gritava pelos enfermeiros. Demorei bastante a me desvencilhar, todo manchado de batom, com a roupa amassada e muitos arranhões. Corri até o posto de enfermagem, onde todos estavam rachando de rir. Depois de muitas risadas, me contaram que a senhorita sempre fazia isso com os residentes. Era como um trote, um ritual de passagem para quem desse sorte de chegar aquela enfermaria quando a ilustríssima estava internada.


Colaboração: Márcio Candiani 

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