Quando se casaram, o pai tinha 53 anos e a mãe 25. Ele é filho único. E não gostava do pai. Acredita, inabalavelmente, que todo filho deve ser estuprado pelo pai até os 3 anos de idade para que cresça e prospere. Seu pai não fez isso e, por esse motivo, ele cresceu "zebrado". Na sua crença, gente "zebrada"não envelhece nem morre. Norberto estudou até o ensino fundamental e nunca namorou. Já trabalhou como trocador de ônibus e servente de pedreiro. É católico, no entanto acredita em macumba e feitiçarias.
Aos 22 anos, seu pai faleceu de câncer. No ano seguinte, Norberto adoeceu e nunca mais trabalhou. Nessa época, devido a brigas com vizinhos, Norberto e a mãe se mudaram. Os amigos começaram a dizer que ele estava doido. Ele rebatia, dizia que uma mulher havia amarrado a sua vida, enterrado feitiço para ele ao lado do latão. Ele cavacou e não encontrou nada. A tal mulher chorou quando o viu cavacar, e ele chorou também... Começou a brigar com os novos vizinhos e foi baleado. Mostra a cicatriz no abdome e fala que o autor foi um rapaz que mexia com droga. A família se mudou novamente após o episódio.
Pouco tempo depois, começou a dizer que metade do seu corpo estava destruído e que os vizinhos queriam envenená-lo. Acusava os vizinhos de colocarem veneno na caixa d'água. Dizia também que queria morrer, fazer parar o coração. Um homem lhe disse que, para melhorar, tinha que viver um grande amor. Mas Norberto tinha vergonha de namorar. E tentou se enforcar...
No ano seguinte, o pessoal da Saúde Mental visitou sua casa. A mãe disse que ele estava bem e que tudo era resultado de uma macumba que haviam colocado em seu filho. Dois anos depois, um vizinho reclama que Norberto o incomoda com gritos e palavrões. A mãe dele procura o serviço de Saúde Mental e conta que dorme trancada no banheiro há seis meses. Fala que o filho está com um peso na cabeça, quis "fazer besteira" com ela, mas ela não permitiu. Norberto detesta todo e qualquer medicamento. Fala que eles lhe causam sensação de morte. A mãe apóia...
Cinco anos depois, nova denúncia de vizinhos. Os dois viviam em condições subumanas. Norberto, com os cabelos longos e desgrenhados, parecia um homem das cavernas. Viviam presos dentro de casa, juntamente com os cães e gatos. Todo mundo tomava somente água mineral. O paciente e a mãe dormiam juntos em cama de casal, o dinheiro era guardado embaixo do colchão. Os dois estavam agressivos e os discurso era incoerente e confuso. Os dois foram internados... e receberam alta depois de um mês. A mãe piorou depois da internação e foi morar com uma irmã em outra cidade. Norberto ficou sentido com a internação. Fala do medo de envelhecer e acredita que está com um tumor na cabeça. Prefere morrer. Os vizinhos continuam com as denúncias, falam que Norberto é agressivo e xinga palavrões. Em nova visita domiciliar, ele acusa os vizinhos de envenenarem seus gatos e acredita estar condenado a morte. A mãe, que voltou a morar com ele, confirma tudo. O proprietário da casa em que moram quer que eles desocupem o imóvel. Ficou sabendo que os inquilinos gritam palavrões dia e noite, matam animais e os amarram pelos pés. Norberto xinga todos os que passam na rua e a mãe corre atrás das crianças com pedaços de pau. À noite, toda a vizinhança escuta a relação sexual entre os dois. Os agentes comunitários de saúde se recusam a visitar a casa do paciente. O proprietário da casa passou a não receber o dinheiro do aluguel. No ano seguinte, mais denúncias de vizinhos. O paciente quebrou o meio-fio da rua e fica jogando sal nas portas das casa vizinhas. A mãe de Norberto fala que eles são roubados pelos vizinhos e que uma vizinha tentou envenená-la com leite e chocolate. Ela fala que tudo começou porque ela se casou...
O interessante é que a casa onde vivem é realmente invadida pelo olhar dos vizinhos e por uma passagem que liga duas ruas do bairro. Um tio de Norberto oferece um lote, em outro bairro, para que eles construam. Eles não aceitam e acusam esse parente de ser o feiticeiro responsável pela morte do pai do paciente. O juiz ameça despejá-los. Onde vão parar?!
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