Estava de plantão no Caps. Por volta das
2:30, 2:40h da tarde chegou um casal de andarilhos, levados ao Caps pelo
serviço social da prefeitura. Ela estava visívelmente alterada, verborreica.
Ele calado, porém na sua fala demonstrava ansiedade com o que iria acontecer
com a companheira. Ela aparentava ser muito, mais muito mais velha que ele.
Magra, pele muito enrugada, dentes em péssimas condições, cabelo ralo, unhas
grandes e sujas, com a roupa suja e com odor fétido. Ele limpo, boa higiene
corporal, dentes em boas condições. Após ser examinada pelo psiquiatra e
prescrito medicação via venosa, a levamos para a sala da enfermagem. Lá,
deitada no leito, aos berros, ela exigia a presença do companheiro do lado
dela, o que evidentemente concedemos, o que a acalmou. De olhos fechados ela
ficou por um bom tempo. De repente, ela abriu os olhos e disse para ele:
- Me traga agora: um sanduíche, chocolate
quente e um pote de sorvete.
Aí ele falou:
- Benzinho, nós estamos com pouco dinheiro
e eles vão nos dar comida aqui.
Ela não quis nem saber e disse:
- Se voce não me trazer o que eu pedi, já
sabe o que não vai ter. E apontou para a vulva.
Pois não é que na mesma hora ele pediu
permissão, foi na padaria e trouxe o que ela pediu. E durante o tempo que eles
ficaram no Caps, ela mandou e desmandou no pobre coitado do homem, exigindo até
que ele só olhasse em uma determinada direção. O psiquiatra mandou interná-la.
Dias depois, após o plantão no hospital, encontro com ele por perto. E ele me
diz que estava por ali, esperando que ela tivesse alta, porque ele não vivia
sem ela. Olha, nem Cleópatra tinha tanto poder sobre Marco Antônio…
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