segunda-feira, 9 de março de 2015

A mulher super-poderosa


Estava de plantão no Caps. Por volta das 2:30, 2:40h da tarde chegou um casal de andarilhos, levados ao Caps pelo serviço social da prefeitura. Ela estava visívelmente alterada, verborreica. Ele calado, porém na sua fala demonstrava ansiedade com o que iria acontecer com a companheira. Ela aparentava ser muito, mais muito mais velha que ele. Magra, pele muito enrugada, dentes em péssimas condições, cabelo ralo, unhas grandes e sujas, com a roupa suja e com odor fétido. Ele limpo, boa higiene corporal, dentes em boas condições. Após ser examinada pelo psiquiatra e prescrito medicação via venosa, a levamos para a sala da enfermagem. Lá, deitada no leito, aos berros, ela exigia a presença do companheiro do lado dela, o que evidentemente concedemos, o que a acalmou. De olhos fechados ela ficou por um bom tempo. De repente, ela abriu os olhos e disse para ele:
- Me traga agora: um sanduíche, chocolate quente e um pote de sorvete.
Aí ele falou:
- Benzinho, nós estamos com pouco dinheiro e eles vão nos dar comida aqui.
Ela não quis nem saber e disse:
- Se voce não me trazer o que eu pedi, já sabe o que não vai ter. E apontou para a vulva.
Pois não é que na mesma hora ele pediu permissão, foi na padaria e trouxe o que ela pediu. E durante o tempo que eles ficaram no Caps, ela mandou e desmandou no pobre coitado do homem, exigindo até que ele só olhasse em uma determinada direção. O psiquiatra mandou interná-la. Dias depois, após o plantão no hospital, encontro com ele por perto. E ele me diz que estava por ali, esperando que ela tivesse alta, porque ele não vivia sem ela. Olha, nem Cleópatra tinha tanto poder sobre Marco Antônio…

Colaboração: Silvana Melillo

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