segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O bebê de Rosemary

No decorrer da consulta, muito chateada, a paciente me conta que está processando a escola onde o filho de três anos estudava: "Ele ficava lá desde o berçário. Eu confiava." Pergunto o que aconteceu de tão grave e ela conta:
- Uma noite ele não queria dormir e eu tentava de tudo para distraí-lo. Aí eu comecei a falar da escola e disse que as tias fulana, sicrana e beltrana gostavam muito dele. Falei inclusive que a tia beltrana cuidava dele desde novinho. Para minha surpresa, ele disse que não gostava dessa tia. Eu perguntei o porquê e ele não quis falar. Eu insisti e disse a ele que, se não me contasse, eu ia perguntar lá na escola. Percebi a carinha assustada e perguntei se a tal tia tinha pegado no bilau dele (nessa hora, só pensava em pedofilia e essas coisas terríveis que a gente vê por aí). Ele disse não. Por fim, me contou: "Outro dia eu não queria deitar e ela ficou brava. Virou pra mim e falou: vai dormir, bebê de Rosemary!"

Respiro fundo...
Colaboração: Heloíza Gonçalves

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